Andávamos pelas ruas
tocando
pra pagar contas.
Tínhamos ideias,
muitas,
algumas empoeiradas
pintadas
em cartolina,
aquarela barata.
Ouço o martelo soar
contra o sino,
aviso
que se repete, pois
nunca me virei
e olhei o rosto fatigado.
Estava ocupado
tentado a salvar o mundo
ou morrendo de tédio.
Aqui há somente colheres de chá
e um trem de areia
- ao trabalho,
só parem no último apito
ou suspiro.
Os figurões fazem crer
que os mortos não nos seguirão.
Fumam de modo elegante
atrás da mesa,
ainda nus.
Não é estranho?
No mais, já é hora,
a cidade está em silêncio.
Pendurado nas roupas,
desço do palco
menos orgulhoso
e peço moedas
para a última refeição
de uma vida,
que não estava ganha.
A boca está seca
e os olhos rasgados
de tanta realidade.
No último degrau
o marinheiro lança
flores de plástico
e pede:
- Ei, passe essa bússola,
quero usá-la em algum lugar,
num destino salvo
em um cartão postal.
É aí que você lembra que
já faz tempo e
deve voltar pra casa.