Em meio ao hemisfério
cochilam forças,
infusório, vitupério
do carrasco, privilégio;
criatura de bom nome,
fina flor da espécie
rasa tábula em falso,
“tudofóbica” ira
em longa mira
o dedo condena.
Dentes armados
rilham esfomeados
no riso manchado,
mas bem fotografado;
comédia, senão
drama furacão,
bestial fanfarrão
incansável escuridão.
Na campina nebulosa,
fugindo da cidade queimada,
o desvalido padece
ao lado da estrada
rogando a que os mortos,
em verdade relvada,
contem à nova estirpe.
─ Disseste?
─ pergunta a linha da sola
à face que a pedra ancora,
entre o calvário e a toga.
Turbinada proa a vapor
em louça primeira e cara,
ápice, retilíneo interstício,
a câmara é dos histéricos
em seu lugar de fala
– guilda servil –
flora do mau gosto,
no beijo amuleto o travo ressentido
desconjura, não crê,
nega três vezes
sobre as cinzas das catedrais,
desolação,
olhar seco e faminto,
covardes tem extremos como pais.
Sertões aos químicos e astrônomos;
posse aos tiranos
da simplificação,
da injusta proporção.
Misericórdia? Não.
Ao sedento, o jarro salgado,
curricular derrisão.
- Ei, você! Diga algo, um segredo,
um mistério, aquilo que não sei.
Somos difíceis em nossos dias difíceis
de não vi, não ouvi, não falei.
(Poema premiado no Concurso da Casa do Poeta de São Pedro do Sul, RS, 2025)