SÉRGIO FLORES DE CAMPOS
PROSA, VERSOS E OUTRAS FALAS
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Textos

Espiral do Silêncio

 

Em meio ao hemisfério

cochilam forças,

infusório, vitupério

do carrasco, privilégio;

criatura de bom nome,

fina flor da espécie

rasa tábula em falso,

“tudofóbica” ira

em longa mira

o dedo condena.

Dentes armados

rilham esfomeados

no riso manchado,

mas bem fotografado;

comédia, senão

drama furacão,

bestial fanfarrão

incansável escuridão.

Na campina nebulosa,

fugindo da cidade queimada,

o desvalido padece

ao lado da estrada

rogando a que os mortos,

em verdade relvada,

contem à nova estirpe.

─ Disseste?

─ pergunta a linha da sola

à face que a pedra ancora,

entre o calvário e a toga.

Turbinada proa a vapor

em louça primeira e cara,

ápice, retilíneo interstício,

a câmara é dos histéricos

em seu lugar de fala

– guilda servil –

flora do mau gosto,

no beijo amuleto o travo ressentido

desconjura, não crê,

nega três vezes

sobre as cinzas das catedrais,

desolação,

olhar seco e faminto,

covardes tem extremos como pais.

Sertões aos químicos e astrônomos;

posse aos tiranos

da simplificação,

da injusta proporção.

Misericórdia? Não.

Ao sedento, o jarro salgado,

curricular derrisão.

- Ei, você! Diga algo, um segredo,

um mistério, aquilo que não sei.

Somos difíceis em nossos dias difíceis

de não vi, não ouvi, não falei.

 

(Poema premiado no Concurso da Casa do Poeta de São Pedro do Sul, RS, 2025)

 

SÉRGIO FLORES DE CAMPOS
Enviado por SÉRGIO FLORES DE CAMPOS em 01/12/2025
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